O encontro entre os sistemas de saúde indígena e a medicina ocidental criou um fenômeno chamado intermedicalidade – o uso simultâneo de diferentes práticas médicas. Muitos indígenas utilizam serviços convencionais de saúde, mas não abandonam suas práticas tradicionais, combinando ambas abordagens em seus tratamentos.
Historicamente, muitas políticas públicas para povos indígenas não consideraram adequadamente suas práticas culturais, impondo modelos biomédicos ocidentais que geraram resistência. A Constituição de 1988 representou um avanço ao reconhecer os direitos dos povos indígenas à sua organização social e tradições, abrindo caminho para a criação do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena (SASI-SUS).
Este subsistema é estruturado em Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEIs), que organizam serviços de saúde em territórios indígenas. Apesar dos avanços, persistem desafios como infraestrutura precária, dificuldade em manter equipes médicas em áreas remotas e burocracia excessiva.
Comunidades indígenas enfrentam diversas barreiras no acesso aos serviços de saúde: distância geográfica, falta de profissionais capacitados para contextos interculturais, barreiras linguísticas, desvalorização de práticas tradicionais e condições precárias de saneamento e alimentação.
A formação de Agentes Indígenas de Saúde (AIS) tem sido uma estratégia eficaz para melhorar o atendimento. Estes profissionais das próprias comunidades atuam como mediadores entre indígenas e serviços de saúde, auxiliando na comunicação e adaptação dos atendimentos à realidade local. A participação indígena na gestão da saúde, através dos Conselhos Distritais de Saúde Indígena, é essencial para garantir políticas públicas que atendam às reais necessidades dessas populações.